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Vamos Tampar o Buraco
Saint-Gobain desenvolve tampa de bueiro antifurto e doa amostras à Prefeitura do Rio
São pesadas, desajeitadas, difíceis de arrancar. Mas como a ocasião faz o ladrão, e as tampas de ferro dos bueiros estão ali, brilhando no asfalto, mãos à obra.
Nas grandes cidades, o furto dessas tampas - de vários formatos, circulares, quadradas, retangulares - assumiu contornos de epidemia. No Rio de Janeiro, a Prefeitura calcula o prejuízo em R$ 1 milhão anual, sem considerar os riscos óbvios de acidentes. Em 2009, foi condenada a pagar R$ 15 mil de indenização a André Santos de Oliveira, que em 2005 caminhava pela rua Andina Meira, Barra da Tijuca, e despencou dentro de um bueiro sem tampa.
Na Filadélfia, EUA, mais de 2,5 mil tampas e grades foram furtadas no ano passado. Cleveland, no estado de Ohio, resolveu selar as tampas com piche. Long Beach, na California, trocou o ferro e o aço por plástico. Afinal, o preço internacional dos metais é que faz flutuar o índice de furtos, com a intermediação dos ferros-velhos.
Em mais uma contribuição para deter a onda de ataques ao patrimônio público - o Metrô de São Paulo, recentemente, teve furtadas várias borrachas de apoio de escadas rolantes - empresas do setor desenvolvem tecnologias para conter o processo. A Saint-Gobain Canalização doou três tampões com sistema antifurto à prefeitura carioca, que instalou no centro, foco natural dos marginais. Feitos em ferro fundido dúctil PAM, esses tampões são difíceis de serem roubados, oferecendo, por outro lado, segurança na instalação e operação. “Nossos tampões possuem uma peça metálica chamada chaveta, que é inserida na região de articulação do tampão, antes de ele ser fixado ao piso, o que impede que a tampa seja retirada sem a quebra do piso do seu entorno”, afirma o engenheiro André Marques dos Santos Franco, da Saint-Gobain.
Um bom tampão - do ponto de vista do fabricante – deve ter alta resistência mecânica, perfeito assentamento, baixa geração de ruídos na passagem de veículos e, agora, sitemas antifurto e possibilidade de uso de mecanismo anti-abertura. Os tampões PAM são confeccionados em ferro fundido nodular que, à distinção dos similares em ferro fundido cinzento, são resistentes, dificultando a quebra da região de articulação. Têm peso mais leve, o que reduz os esforços de instalação e operação, e eventualmente pode desinteressar o ladrão, por valer menos no mercado negro. O engenheiro Marques dos Santos vê o problema acontecendo nas grandes metrópoles e afetando as empresas de saneamento. Declara:
“Não temos dados oficiais nem acesso a estudos que correlacionem os furtos com o preço da sucata ou mesmo com a flutuação do poder aquisitivo da população, porém, podemos afirmar que é um problema recorrente em todas as empresas de saneamento no país e que tem ‘comportamento’ similar ao dos furtos de cabos elétricos e telefônicos, ficando mais intenso em função do preço pago pela sucata metálica”.
O diretor da Saint-Gobain revela que os tampões antifurto são produzidos em escala industrial, e revela um contrato recente com a Sabesp, para fornecer 15 mil peças. Sobre os três tampões doados ao Rio, esclarece:
“O produto tem tecnologia de nossa matriz que é francesa, porém, temos capacidade técnica e laboratórios que nos permitem desenvolver produtos novos para aplicação específicas ou mesmo adaptar tecnologias existentes em outros países para nossas demandas e atendimento a normas locais. Os problemas de vandalismo e furto estão presentes em todos os países, em maior ou menor escala, dependendo de aspectos culturais, legais, renda da população e acesso a mercados que comprem materiais proveniente de furto”.